quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Você ja deve ter se perdido antes, de algum jeito ja. De sentir que não sabia onde estava quando determinada coisa estava acontecendo e você perdeu, se perdeu. Como se algo tivesse te sugado pra outra dimensão, ou pra dentro da sua cabeça, ou num banho demorado pensando no amor ou na morte da bezerra. Sabe quando a gente vai juntando com a faca os farelos de pão de cima da toalha da mesa? e a gente se perde naquela ação que é a mais importante do mundo ate você descobrir que estão fazendo coisas mil por ai. Outro dia me perdi no céu, lembrando das cores que ja vi em cima da minha cabeça. Azuis celeste, cinzas de dias tristes, alaranjado que parecia mentira, rouxeados,violáceos, róseos, branco branco. Cores que meu olho deve ter pintado sozinho e como nada parece existir fora de mim, alem de mim, antes de eu chegar e depois que eu for, em um pra sempre que dura ate uma buzina de carro de um filho da puta gritando pra eu sair da frente. Se eu tivesse mãos iguais as de um playmobil eu ficaria triste em não poder abraçar com todo meu abraço, mas feliz por ser um playmobil.

Um comentário:

Mario Tommaso disse...

se digo narrar
é que não exponho
a esfera de coisas
tangendo-se a nu
ruínas, re-unas
(não antes de tê-las
sob tela de estrelas
em letras zodiacais)

por outras palavras
se digo matéria
é que me interessa
das flores o lápis
dos dedos o baile
das cores a dúvida:
rosa-breve, cinza-choque
ouro sobre azul-seria