sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Estava num onibus enorme e vazio. quando duas senhoras tagarelando foram se sentar justo do meu lado. Fulo da vida, de repente senti um cheiro, vinha da senhora negra que estava do meu lado, comecei a fita-la, e notei que sua pele tinha um brilho viçoso, como uma azeitona preta grega, como se fosse uma jaboticaba roxa que de tão negra nem se sabe mais de que cor é. Era o cheiro da minha mãe, de todas as mães. Minha mãe em seu ritual de dormir se besunta de vários cremes. Mas voltando a senhora tive vontade de toca-la, e ficar alisando-a. Sem nenhum fim erótico, como alguém que toca um cobertor apenas para sentir a textura, tinha vontade de me enrolar naquela pele ate ficar daquela cor e com aquele cheiro. Tentei ouvir o que estavam falando, mas não me prendeu a atenção, eram coisas que não me faziam sentido algum. Desci do onibus e fui andando ao meu destino roxo como nunca desta vez.

Um comentário:

Rafael Fabrício disse...

corriqueiro e metropolitan. cosmopolitan...